Localizada no Vale de Aramenha, no coração do Parque Natural da Serra de S. Mamede, em Marvão, é esta uma zona de grande beleza que atesta a sua grandeza patrimonial. Acredita-se que esta povoação foi fundada nos finais do século I A.C, no principado de Augusto. Criada a província da Lusitânia e estabelecida como capital da província a nova colonia de Emerita Augusta (atual Mérida), desenvolveram-se outros centros importantes, como as cidades lusitanas de Pax Iulia (Beja), Olisippo (Lisboa), Norba Caesarina (Cáceres) e Ebora Liberalitas Iulia (Évora).

Acredita-se que no início da nossa Era, a administração romana decidiu fundar uma nova cidade de dimensão média na área da Serra de São Mamede, junto à nova rede viária da Lusitania central, que estabelecia a ligação entre a capital Emerita Augusta e a costa atlântica. Assim nasceu a cidade de Ammaia que funcionava como centro urbano político-administrativo que geria eficazmente o território circundante. Ammaia era uma cidade bem organizada dotada de mercado e de um território rural e industrial, floresceu, segundo os estudos de artefactos arqueológicos, durante os séculos II e III d.C..

Ainda que no decorrer do século IV d.C., tenham sido renovados alguns monumentos, a partir do século V, o declínio e o derradeiro colapso do sistema económico romano, bem como a invasão de povos germânicos (Suevos, Vândalos, Alanos), ditaram o progressivo abandono dos centros urbanos da Lusitania. Por esta altura, Ammaia, entrou em declínio e foi completamente abandonada.

Escavações recentes têm revelado que algumas zonas da cidade haviam já sido cobertas por sedimentos. No último quartel do século IX, quando os árabes conquistaram a região, a literatura antiga relata a instalação do chefe Muladi Ibn Maruán na vizinha e estratégica fortaleza de Marvão, que a si deve o nome, vangloriando-se de ser o Senhor da “Fortaleza de Ammaia“. Presume-se que à época, a cidade romana se encontrasse já totalmente abandonada.

A esta data, um cataclismo terá soterrado a parte baixa da malha urbana da cidade, ficando assim conservada ao longo de séculos.

A parte ainda visível das suas ruínas chamou a atenção de eruditos portugueses e espanhóis logo no século XVI, quando as cidades antigas foram saqueadas para obter pedra para construção de projetos, sobretudo religiosos, no distrito de Portalegre. Em 1710, o então ainda conservado arco da Porta Sul de Ammaia foi transferido para a vila vizinha de Castelo de Vide, onde permaneceu em uso até 1891.

Entre fins do século XIX e o início do século XX, as primeiras escavações revelaram algumas das necrópoles da cidade e muitas das ainda intactas oferendas funerárias romanas, vieram a integrar coleções públicas e privadas. Até essa data, arqueólogos e historiadores, acreditavam que as ruínas próximas de São Salvador da Aramenha pertenciam à cidade romana de Medobriga, e que os vestígios de Ammaia se encontravam sob a moderna cidade de Portalegre, mais de dez quilómetros a sul.

Somente em 1935, quando Leite de Vasconcelos publicou um artigo sobre a descoberta de uma inscrição honorífica dedicada ao Imperador Cláudio (IRCP 615), foram as ruínas romanas próximas de São Salvador da Aramenha identificadas como a antiga cidade de Ammaia. Pouco depois, o local foi classificado como Monumento Nacional (1949) e, em 1994, a área central da cidade recebeu a proteção legal que hoje detém.

Desde então, os trabalhos arqueológicos de campo e as escavações têm decorrido em Ammaia, de um modo contínuo, organizados pela Fundação Cidade de Ammaia em parceria com as universidades portuguesas de Coimbra e Évora. As primeiras escavações concentraram-se essencialmente nas áreas onde as ruínas visíveis indicavam claramente a presença de vestígios romanos. Essas áreas incluíam parte da muralha da cidade e a entrada meridional (Porta Sul), com a sua praça pública monumental e edifícios residenciais, parte de um complexo de banhos públicos (Termae) e parte do complexo do fórum, onde o núcleo do pódio do templo, construído em opus caementicium (o típico betão romano), ainda era visível acima do solo. Além disso, procedeu-se à escavação integral de uma área residencial situada sob um edifício abandonado da Quinta do Deão, que agora alberga o museu monográfico, e de uma pequena área suburbana situada entre a cidade e o rio Sever.

Por tudo isto, a cidade romana de Ammaia, merece uma visita atenta e atempada para desfrutar de cada pormenor e da beleza incansável deste monumento.

Estrada da Calçadinha, nº 4, 7330-318 São Salvador de Aramenha, Marvão

Telefone: 245 919 089 / 960 325 331
GPS > N39º 22º 13 87”, W 7º 23º 14 5”

Bibliografia e imagens da autoria da Fundação Cidade da Ammaia