Esta é a lenda do Castelo de Noudar, em Barrancos.

Contaram-nos que nos subterrâneos do Castelo de Noudar vivia uma triste moura que se passeava à sombra dos freixos dos rios (Ardila e Múrtega), mas que ao menor sinal suspeito transformava-se em serpente e desaparecia por qualquer buraco.

Segundo a lenda, o encantamento da moura vem d’um desgosto sofrido, pelo facto do seu irmão ter apunhalado uma grande amiga dela que o repudiou, por querer batizar-se e desejar casar com um cristão. Soubemos também que, o mouro, com os seus guerreiros, terá assassinado todos os moradores do Castelo de Fornilhos (monte próximo de Barrancos) onde vivia a jovem vítima que, no último momento da sua vida terá conseguido ser batizada.

Assombrado e arrependido, o criminoso terá se enforcado e a irmã tomou encantamento, refugiando-se nos misteriosos subterrâneos do Castelo de Noudar.

Podemos averiguar, que nas intervenções arqueológicas realizadas em Noudar, não se encontraram ainda os ditos subterrâneos, apenas um túnel. Provavelmente de buscadores de tesouros que se aventuravam, apesar do receio de ali encontrarem a moura-serpente.

Numa versão popular contam-nos que, junto à porta de entrada do Castelo de Noudar, uma grande serpente penteava os seus longos cabelos louros, todos os dias, aos primeiros raios de sol. Consta, que o homem que a visse, ficava encantado e apaixonado com a sua beleza.

Alguns locais de Barrancos, menos crentes nestes encantamentos, contam que era frequente o desaparecimento de ovelhas e cabras que pastavam pelos campos da Coitadinha e Russianas (propriedades envolventes do Castelo de Noudar). Consta-se que estes desaparecimentos eram atribuídos a uma cobra “grande e com cabelos” (provavelmente uma serpente), várias vezes avistada pelos pastores. in http://estadodebarrancos.blogspot.com/2008/09/as-lendas-do-castelo-de-noudar.html

Já nos dizia o compadre Jaquim, esta lenda chegou ao fim.

Saudações alentejanas

ti’ Xico